É espectacular ser emigrante :D

Step Hill, Lincoln

Depois do meu post É difícil ser emigrante sobre os aspectos negativos, aqui vai a minha opinião dos aspectos positivos:

Aiiii….viajar. Conhecer o mundo. Nunca pensei que emigrar pudesse mudar tanto uma pessoa. De uma menina da mamã que ficava os dias em casa a ler, passei a ser uma mulher que sabe o que quer e o que fazer para consegui-lo.Mas comecemos pelo princípio…;)

Amizade

Uma das coisas que mais me surpreendeu foi o facto das minhas amigas de sempre ( e outra que se tornou minha amiga entretanto) continuarem a falar comigo como se nada fosse. Mesmo só as vendo de ano a ano. Sempre que vou recebem-me de braços abertos , como se só tivesse passado um fim-de-semana sem nos vermos….Organizam jantares, festas e saídas á noite, apresentam-me aos amigos que fizeram entretanto, mostrando um pouco do mundo delas, tudo para me sentir confortável…

Perguntam-me: então está tudo bem? Novidades? Precisas de ajuda? Vá agora ‘siga’, temos que ir aqui e ali e aconteceu isto e aqueloutro…..

Sinto por vezes que não mereço. Afinal não estou ao lado delas quando elas mais precisam. Não vou a festas importantes. Falho a todos os seus aniversários.Quando precisam de um abraço, não posso dar. Sou sempre a ultima a saber das coisas. Tento manter o contacto o mais possível mas ás vezes simplesmente não há nada para contar…

Estranhamente,  parece que nós nos aproximamos mais desde que estamos mais longe umas das outras. Certos amores são assim, fortalecem com a distancia.

Só depois de vir para o Reino Unido (RU) é que descobri quais são os meus amigos de verdade. As pessoas que estarão ao meu lado para o que der a vier. Obrigada Lu e Teté e Né.

Cultura

Conheci pessoas de todo o mundo, por vezes tinha jantares e festas com alguns internacionais e havia pelo menos seis línguas a serem faladas na mesa. Todos eles entendiam mais do que três línguas, se o francês não se lembrasse de uma palavra em espanhol podia sempre perguntar ao Italiano e o francês sabia algumas palavras de português e romeno. Lá nos entendiamos.

Passávamos horas a falar dos nossos países, dos defeitos e das virtudes, da história individual, da comida, dos países que visitaram….:D. Muito por culpa destas conversas fiquei com uma imensa vontade de viajar pelo mundo, ir ao México, á Franca, á Itália….

Viajar agora parece-me uma coisa simples. Agora sei que se me mudar para qualquer país irei sobreviver. Irei vencer. Sei que posso mudar-me para qualquer país e mesmo se não souber falar a língua, com o tempo irei aprender e tudo ficará bem…

Isto dá-me um certo…poder. Poder mental de que sou capaz de fazer algo de bom para mim, lutar para isso e que no final estarei bem….

Agora não sou só uma alfacinha. Agora sou uma cidadã do mundo.

Aprendi tanto sobre o RU. Finalmente aprendi a falar inglês. Aprendi a ser independente. A fazer as compras do supermercado de maneira que me dure o mês todo. Por culpa dos ingleses o meu sarcasmo agora está quase perfeito, isso e as piadas secas…

Conheci finalmente pessoas tão estranhas como eu, com os mesmos gostos a mesma sede insaciável de  aprender e de viver.

Portugal

O meu amor por Portugal e Lisboa antes era grande, mas agora está gigantesco. Sempre tive um enorme orgulho de ser de Lisboa, mas agora cada vez que vou a casa pareço uma turista. Ando de máquina fotográfica na mão, a tirar fotos de todos os lugares que me fazem falta, o Chiado, Bairro Alto, Graca, Belém, Cova da Moura, 24 de Julho, Santos, Amadora.

Descobri entretanto mais coisas sobre Portugal em três anos, do que numa vida inteira a viver em Lisboa. Leio mais livros sobre autores Portugueses, oiço rádio portuguesa , sempre a Antena 3. Falo de Lisboa como se fosse um amigo intimo em que acaricio todas as suas sete colinas. E o fado claro, nunca ouvi tanto fado na minha vida…

Acho que só um emigrante consegue apreciar a verdadeira beleza de Portugal, talvez porque por vezes é preciso perder aquilo que damos por garantido, para que possamos realmente o amar em todo o seu esplendor, tal qual ele merece. Afinal Portugal é o pais da saudade, da nostalgia, de poetas, marinheiros, conquistadores…

Sacrificio

Acho que o facto de ter aprendido de que não se pode ter tudo ao mesmo tempo, ajudou-me a crescer muito. Posso ter perdido muitas festas em Lisboa, com muitas tardes na biblioteca a tentar perceber a matéria mas pelo menos agora tenho um curso feito, tenho um dois estágios e outro a caminho na minha revista favorita (depois vos conto).

Tudo isto não teria acontecido se eu não tivesse coragem de sair da barra da saia da minha mãe, que sempre me amparou. Agora que acabei o curso posso começar a viver, mas sei que não seria feliz caso tivesse deixado este sonho de lado. Agora posso seguir a minha vida de cabeça erguida. Aprendi um bocado de tudo muito rápido, mas teve que ser. Foi bom saber que tenho um espírito de sobrevivência e uma sorte tremenda em certos casos.

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