estados…

Aqui vão dois poemas de Fernando Pessoa sobre os seus heterónimos, que de algum modo, definem o meu estado de espírito presente…. isto é se percebi alguma coisa…

Não sei se e amor  que tens, ou amor que finges

Não sei se e amor que tens, ou amor que finges
O que me dás.Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco e falso.
Porem, se dão, falso que seja, a dádiva
E verdadeira. Aceito,
Cerro os olhos: e bastante.
Que mais quero?

Odes/Ricardo Reis

Somos estrangeiros onde quer que estejamos

Lídia ignoramos. Somos estrangeiros
Onde quer que estejamos.

Lídia, ignoramos.Somos estrangeiros
Onde quer que morremos, tudo e alheio
Nem fala Língua a nossa.
Façamos de nos mesmo o retiro
Onde esconder-nos, tímidos do insulto
Do tumulto do mundo.
Que quer o amor mais que não ser dos outros?
Como um segredo dito nos mistérios,
Seja sacro por nosso.

Odes/Ricardo Reis

in Citacoes e pensamentos de Fernando Pessoa, casa das letras

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4 Comments Add yours

  1. R.Kawakuti diz:

    atençao este paragrafo :”Realmente, muitas das vezes as pessoas não se devem apostar mais na relação”.
    Devia estar assim :”Realmente, muitas das vezes as pessoas não apostam mais na relação”.

    gafe…hihihi

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  2. R.Kawakuti diz:

    Well Angie

    Realmente um poema múltiplas interpretações, razão pela qual certo homem escreveu que o “poeta é o único escreve e não deve ser chamado para justificar os seus escritos”.
    O amor incondicional quando a “incondicionalidade” é mutua é uma mais valia de facto, agora quando é unidireccional ou seja da parte de quem esta apaixonado e quer levar a sua paixão para a outrem, no principio aplica-se o principio da “persistência como base para o exito” e se formos bem sucedido uff..e no fim passamos do persistente ao masoquista quebrando a lei da acçao e reacçao da fisica ( LOOOL ), fazemos investimos e nao termos retrocesso da outra parte (uma dadiva falsa dos deuses como diz F.Pessoa ) fazer de tudo e nao ter sucesso…
    Realmente sabe bem ser correspondido, saber que podemos fazer outra pessoa feliz e esta nos faz feliz a nós, ter alguém com quem partilhar o caldo das nossas emoções( alegria, tristeza etc), problemas, ideias de tudo um bocado (até suores (é um bocado porco mas enfim, eu transpiro Giorgio Armani 😀 ) ) é bom em todos os aspectos, a outra versão da dádiva :).
    A zona de conforto dos relacionamentos poderas ter uma perspectiva do que falo se ouvires a musica “A outra de matias damasio”.Pede a Luisa ela deve ter.
    Realmente, muitas das vezes as pessoas não se devem apostar mais na relação com medo de vir a estragar tudo( zona da dor) ou fazer um upgrade( zona do prazer) , mas como o esforço para o upgrade é muito elevado e a maioria dos homens após a conquista atraca no porto mais próximo rara são as vezes que se vêem relacionamentos na zona do prazer.
    Vou tentar evoluir o meu relacionamento para a Zona do prazer só é pena que ainda estou no inicio do poema de Fernando Pessoa ” a fase da conquista”….

    Keep in touch…
    Já tens um pista de quem pode ser o R.Kawakuti

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  3. R.Kawakuti diz:

    Boas Angie,
    De volta o chato do costume, que preocupa-se em comentar os teus textos em vez de escrever os deles (dá menos trabalho lool).
    O primeiro poema, refere-se a arte da conquista do ser humano o percurso do engate e toda a sua envoltura , as promessas que podem ou não ser cumpridas as flores oferecidas e os cartões perfumados, tudo isso com o objectivo já preconizado.As vezes o coro é tanto que ultrapassa a lei normal de conquista levando a pessoa conquistada a desconfiar de certos “rituais”,como diz o povo “Quando a esmola é demais o pobre desconfia”.
    Todavia , os últimos versos do poema levam-me a concluir que as vezes estagnamos naquilo que os psicologia chama “Zona de Conforto” em que se irmos para frente temos prazer, mas não vamos com medo das consequências que possam advir, e se irmos para atrás temos dor e então ficamos pelo conforto. . . .
    Espero que não estejas no mesmo estado de espírito que F.pessoa estava quando escreveu estes poemas, como deves saber, o homem era viciado em absinto razão pela qual morreu de Cirrose.

    Take it easy…I´m just kidin´….
    Keep in touch..

    R.Kawakuti.

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    1. Angielopes's weblog diz:

      hahahhaha, na boa, tens razão, tens razão ele lá gostava do seu ópio e do seu absinto.
      tanto heterónimo nao podia vir só de sumo de laranja. Há que compreender o poeta…

      Sim, de facto quando a esmola é demais o pobre tende a desconfiar, mas este poema também pode ter uma outra interpretação, pelo menos complementar. Pelo menos pra mim.
      Eu quando o leio penso logo num amor incondicional, todavia a espera…a espera daquela atenção ( a tal dádiva), atenção que ainda não se sabe ser verdadeira ou falsa, mas que mesmo assim, sabe bem. Mesmo assim é o bastante, suficiente pra nos por com aquele sorrisinho nos lábios.Naquela fase em que a loucura ja e tanta que pouco nos importa se ele ta a ser verdadeiro ou não, só nos importa aquela atenção…que esteja ali ao nosso lado…
      Mesmo que desconfiemos das atitudes do nosso apaixonado, e que seja cansativo a fase do vai…não vem, Forcamo-nos a acreditar que a dádiva e verdadeira
      quanto aos últimos versos a dor que falas e a dor do arrependimento por nunca ter tentado? a dor do, e se eu fizesse isso, e se….?

      Ai esta a magia dos poemas, ainda mais de Fernando Pessoa, são de mil e uma interpretacoes, não era então dele o famoso poema O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente

      Obrigada pelos comentários. Está a ajudar imenso, já que é sempre ultil discutir o outro lado dos assuntos.
      Que isto de estar aqui a falar sozinha é no minimo aborrecido.
      Se eu estiver errada ou a ver as coisas um bocado mal, avisa…:)

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