Educação na Inglaterra. Será que vale mesmo a pena?

Estava muito bem eu a ler o jornal  Sunday Times (dia 8 de Marco) quando um artigo me chamou a atenção e pôs-me a pensar o resto do dia.

O artigo falava sobre o sistema educativo britânico, que até certo ponto facilita muito as coisas aos estudantes. Não é muito complicado tirar boas notas em Inglaterra, qualquer estrangeiro fica, normalmente, surpreendido com a maneira como a educação é feita aqui.

Primeiro chama-nos logo a atenção a quantidade ridícula de horas semanais, usualmente, não mais que 15 horas.Isto comparado com as quase 40 horas semanais que os meus colegas que estudam jornalismo tem em Portugal.  Depois e o tipo e a extensão dos trabalhos, que não variam muito dos do meu Curso Tecnológico de Comunicação do ensino secundário e com nao mais que 2000 palavras por trabalho (uma Essay), enquanto que amigos meus andam ás voltas com 40 paginas e muita pesquisa, eu normalmente em  dois dias tenho um trabalho feito, e ate agora tenho tirado boas notas.

É verdade que é um sistema extremamente eficaz, porque por um lado, valoriza mais o lado pratico do que o teórico do curso, dando-nos mais armas para que estejamos preparados para o mundo profissional, mas isto por outro lado significa que os alunos (incluindo eu), saiam da Universidade sem entenderem muito a profissão querem fazer.

Pegando no meu exemplo, estou a fazer um curso de jornalismo na University of Lincoln e aprendi muito sobre como fazer radio, obter informação, manter os contactos e até como fazer paginas de jornais e revistas; mas a outra parte, a teórica, acho que me falta um bocado.

A parte teórica que tenho é-me, praticamente voluntária, leio porque adoro a minha área e adoro ler. Ás vezes por simples curiosidade e outras vezes porque quero me manter interessada na profissão.A maior parte dos meus colegas aparecem só com o corpinho que Deus lhes deu e nada mais, sem cadernos, canetas muito menos perguntas ou interesse. Aparecem muito de vez em quando as aulas, só para assinarem o registro e muitos saem das aulas a meio depois de assinarem, tudo para não receber uma carta em casa a avisar que tem que aparecer mais vezes, com o risco de falharem o curso.

Um dos meus profs disse, visivelmente irritado depois de só 10 pessoas terem aparecido á sua aula,( que era suposto ter 52 almas) que os alunos vão ter que começar a assistir as aulas quer queiram quer não. Deu também o caso de Nottingham University que 10 pessoas chumbaram o ano por não aparecerem ás aulas, isto apesar de terem notas razoáveis.

No artigo lia-se que um estudante numa pesquisa implorava para que não facilitassem mais as coisas. Quanto  a mim a estrutura do curso não me desafia muito,  eu não perco noites a pensar no assunto e não sacrifico a minha vida social e privada porque simplesmente não preciso. Até agora o meu maior desafio esta a ser aperfeiçoar o meu inglês e tentar manter-me motivada.

Também no mesmo artigo do Sunday times David Willets, Secretario das Universidades dizia que os estudante estão mais preocupados em quando e como terão os seus trabalhos de volta do que noutros problemas mais graves.

Afinal de contas nos estamos a tirar um curso académico, num dos países mais prestigiados  do mundo. Quem tira um curso na Grã-Bretanha é respeitado em qualquer lado, mas a minha questão é será que merecemos tanto respeito?

2 Comments Add yours

  1. R.Kawakuti diz:

    Boas angie Lopes…
    Bela reflexão, aproveito para tecer algumas considerações sobre o tema supracitado, a eficácia de um sistema “genérico” deve ser questionado pela qualidade dos seus frutos o facto de passar mais horas ou efectuar trabalhos mais extensos é condição “sine qua non” (desculpa tou a ser extremista lool) para bons profissionais no futuro e posso ate usar-te como exemplo. Leio o texto que escreves e a qualidade é inquestionavel o mesmo nao posso falar de certos textos que leio em certos jornais e escritos por jornalistas que durante a formação fizeram trabalhos “maratonais”.
    O século em que estamos é denominado era da informação por ela estar patente a nova volta e bastante acessível, o papel do sistema de ensino é dar ferramentas para o tratamento e concepção de informação nutrir os alunos destes itens. Não se quer sistemas cansativos e torturantes que olhem para o sistema de ensino como um Super-Obstáculo a transpor, mas que tenham a visão de que o ensino é um caminho a percorrer em direcção ao sucesso e só o mesmo fornece ferramentas técnicas para o tal.

    ate mais..

    1. Angielopes's weblog diz:

      obrigada pelas tuas palavras R.

      De facto, Portugal deveria começar a dar prioridade á qualidade em vez da quantidade, como em tudo na vida, sem no entanto nunca descurar a parte teorica.
      manter um equilibiro entre os dois seria o essencial.

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