Livres, só os Pássaros

Aqui vai uma velha cronica minha.  Penso que de 2005, quando eu andava as voltas com o curso tecnológico de Comunicacao.Bons velhos tempos.

Crónica

Livres, só os Pássaros

O que é a liberdade, afinal de contas? Será que o ser humano é mesmo livre? Não me parece. Nós estamos condicionados por inúmeras limitações culturais, sociais e ideológicas, enfim, o ser humano não é livre de fazer tudo o que pensa nem tão pouco tudo o que quer porque como diz aquela velha máxima : a minha liberdade acaba onde a tua começa.

Senão vejamos, nós os chamados ocidentais, repudiamos o factos de os chineses comerem cães, contudo eles acham isso perfeitamente normal e até acham estranho nós conseguirmos tê-los como animais de estimação.

Nós portugueses, temos hábitos e manias que nos caracteriza mas que certos povos acham estranho, mas que só reflecte a nossa alma lusitana como o simples facto de ir tomar café numa esplanada ou deixar tudo para último dia.

Nós temos a liberdade de fazer tudo isto e muito mais, de fazer coisas que de certeza nos vamos arrepender no final mas se isso nos faz feliz porque não? Como dizer o que pensamos a um chefe, a uma pessoa que no incomoda profundamente, que nos faz mal. Fazer o que nos apetece. Vestir o que nos apetece. Ser mandriões (digam lá se não sabe tão bem faltar a um compromisso porque simplesmente apeteceu-nos ficar enroscadas na cama até mais tarde. Ser irreverente e ter outra filosofia de vida que não seja o típico estudar, ter um trabalho, casar e ter filhos. Ser verdadeiramente cabras com uma colega que está mesmo a pedi-las. Dizer á pessoa amada que queremos estar com ela, que queremos passar a noite com ela, que queremos que ela nos proteja, nos envolva nos seus braços e nos beije como se não houvesse amanhã e amar-nos de corpo e alma com tudo o que a paixão e o tesão pode fazer por uma pessoa, mesmo que isso nos magoe, mesmo que não seja para sempre

Porque é que não fazemos tudo isto? Porque temos medo do que as outras pessoas possam dizer de nós, porque desde tenra idade a sociedade incutiu em nós a ideia de responsabilidade e ética social, os tais morais e bons costumes, que verdade seja dita só serve para nos atrapalhar.

Passar a vida dizer que somos livres porque temos a liberdade de escolha, na minha perspectiva, isso não é bem assim porque temos a liberdade de escolher coisas tão triviais como a roupa que vestimos mas não somos livres para escolher os nossos gostos, já que adquirimos desde o nascimento uma cultura que nos moldou que nos faz por exemplo a nós mulheres ocidentais pensar duas vezes em vestir uma Burka. Não somos livres também de escolher quem amamos já que por vezes duvidamos dos nossos próprios gostos. Por mais que uma pessoa nos faça sofrer, por mais que sintamos um verdadeiro mix de sentimentos em relação a essa pessoa o nosso coração continuará a bater mais forte por essa pessoa cada vez que ela entrar numa sala ou sentirá a sua ausência cada vez que ela tiver saído de ao pé de nós nem que seja para ir tomar um café a poucos metros de nós, os nossos olhos continuarão a querer encontrar os deles.

Cada vez que nos dá aqueles actos de rebeldia, em que desafiamos este mundo e o outro, temos que tentar ter sempre em mente a ideia que seremos criticados por outros que não estão preparados para ver outras pessoas a querer soltar-se das gaiolas da sociedade.

Não precisamos ser livres porque nunca seremos tal coisa, temos sim é que aprender a ser corajosos,

como um pássaro que aprende a voar pela primeira vez e atirarmo-nos de cabeça ao desconhecido.

Ângela Lopes

12º19 nº3

Março 2006

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2 Comments Add yours

  1. Filomena diz:

    É bom saber novidades de quem não vemos há algum tempo…
    É bom saber que guardou pelo menos um texto dessa época… E, quando se lê “eu andava as voltas com o curso tecnologico de Comunicação.Bons velhos tempos.” não podemos deixar de nos sentirmos bem por termos pertencido a esses bons tempos.
    Restam as saudades. Eu lembro-me da minha turma de Comunicação. Alguns ainda continuam a organizar encontros entre alunos e entre alunos e professores. Gostei de a “encontrar” aqui, Ângela.
    Um beijo
    Filomena

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  2. soltar da gaiola da sociedade…Gostei=)
    é preciso força sem dúvida***

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